segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Resenha: Damien Rice em São Paulo - Cine Joia, 22/10/2015

Na última quinta (22) fui ver meu terceiro show do Damien Rice, que aconteceu no Cine Joia em SP, e posso dizer que cada um desses três shows que já vi desse incrível artista foi absurdamente único, e cada um me deixou com uma sensação diferente, uma sensação melhor a cada show. Cada um me deu uma nova percepção do homem por trás do artista, do que ele quer dizer, do que eu entendo e sinto com a música dele, e, me atrevo a dizer, da minha percepção da vida até.

Damien entrou no palco em meio a gritos de euforia do público, que já não se aguentava de ansiedade. Entrou calado, e abriu o show com Delicate, sabendo que não precisava de nenhuma apresentação, nem uma palavra de introdução - sua conexão com o público já dispensa isso. Passou para 9 Crimes, ainda sem dizer uma palavra, mas com o público cantando junto desde o início do show. Mas já nessa segunda música, o artista começou a expressar todos os seus sentimentos, que foram se revelando durante todo o show: arrependimento, dor conformada, desapego, distância, gratidão.

Ao final de 9 Crimes, uma explosão de luzes, que seria única durante todo o show, tomou conta do palco, junto com o violão e vocal distorcidos, terminando com o Damien cantando repetidamente "just to cheat, this is not what I do" (simplesmente trair, isso não é o que eu faço). Deixo ao julgamento de vocês o que ele sentia e quis dizer com esse ato.

Foto: Lilo Alonso

A terceira música foi The Box, que começou mais quieta - inclusive o público, que devia ainda estar atônito com o final de 9 Crimes, mas também teve as distorções no violão e aquele êxtase do Damien tocando violão com toda sua emoção nos refrões. Já a quarta música foi aberta pelas primeiras palavras não cantadas do Damien: um discurso sobre o "esperma" e o que ele causa em um homem (veja abaixo). Ao final do discurso, todos já sabiam que a música seria The Professor & La Fille Danse, que também teve o coro do público até nos versos em francês.

Antes da quinta música, mais uma história foi contada sobre uma noite que Damien passou na casa de uma amiga (veja abaixo). O público ouvia atentamente, e ao final da história, ele conta que no dia seguinte escreveu Amie, tocando ela em seguida, e o público cantando mais baixo dessa vez. A sexta música foi Long Long Way, que começou despretensiosa mas também teve sua explosão de emoção, batida e distorção no violão.

Mas foi quando Damien tocou Woman Like a Man que o público entrou em histeria total, cantando cada palavra com uma euforia e até, eu diria, uma identificação com a letra - isso considerando o fato de que uma grande parte do público era masculina, e eram as vozes deles as que mais se ouviam nessa música - apesar das mulheres também cantarem com grande exaltação. Essa euforia só fez aumentar coforme a música crescia e o Damien tocava com distorção no violão e no vocal.

Foto: Lilo Alonso

No início de Older Chests, a oitava música do repertório, houve um incidente ruim - uma pessoa do público passou mal, e tal foi nossa surpresa quando Damien pediu para fazer uma pausa e acenderem as luzes para socorrerem a pessoa - ato muito admirado por todos (inclusive quando ele disse, com sotaque, a palavra "segurança", imitando o grito de alguém). Em 5 minutos ele retornou e ficou dedilhando com muita sensibilidade, até tudo se normalizar - sensibilidade que seguiu durante toda a música Older Chests, e também no início de Elephant, a nona, que terminou com a distorção que tanto expressa esses sentimentos todos que mencionei no início deste texto.

I Don't Want to Change You seguiu o repertório começando com um pequeno erro, que foi levado com bom humor, e apesar de nova, também foi cantada na íntegra pelo público. A décima primeira música foi I Remember, emocionante do início ao fim, terminando com Damien explodindo em emoção no palco, gritando com vocal distorcido e tocando com intensidade incrível. E depois dessa intensidade toda, ele inicia Volcano como se nada tivesse acontecido, como se cada um lá já não estivesse extasiado mais que o suficiente, como se ele fosse um artista qualquer, tocando uma música qualquer, em toda sua simplicidade.

A décima terceira e última música do repertório foi It Takes a Lot to Know a Man. Para quem conhece a música, presente em seu mais recente álbum, sabe o poder dela, de sua letra, e o sentido de tudo que ele quis transmitir com ela. Poucas pessoas cantaram junto, provavelmente para contemplar a beleza dessa música, e posso garantir que valeu a pena para todos. A emoção foi tanta que ele terminou a música cantando no captador do violão, colocando todo seu coração no fim do show, fazendo desse um momento memorável para todos.

Mas claro que ele voltaria rapidamente para o "bis", onde ele tocou Cannonball, The Greatest Bastard e Grey Room de forma simplista e emotiva, e como de costume, terminou com The Blower's Daughter - a única música que ele pediu, de modo gentil, para cantar sozinho. Não preciso dizer que ele soltou os versos dessa música quase que em um choro, e terminou o show da maneira mais sincera e emotiva possível.

Posso dizer, com convicção, que pelo menos em mim esse show mudou muita coisa, para melhor, exceto pelo fato de ver o artista que eu tanto admiro não conseguir superar uma perda, e sofrê-la há anos até o dia de hoje. Se um dia ele vai conseguir seguir em frente, para mim, é um mistério, mas espero de coração que ele consiga. Já o que ele faz pelas pessoas, o sentido que ele dá a vida de tantas pessoas com seu trabalho, com suas palavras e seus acordes, ou simplesmente com seu ser, é algo que eu, pessoalmente, nunca conseguirei compreender completamente, mas serei eternamente grata pelo sentido que esse artista, junto com pouquíssimos outros, dá à minha vida.

Foto: Lilo Alonso

Vídeos:



sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Coletânea Folk Music Brazil: Lançamento Benjamin - Exist

Esta sexta-feira está mais que especial para nós, e queremos compartilhar com você o que está nos tocando hoje. Começamos com um dos vídeos mais lindos que já vimos por aqui, e o mais bonito de tudo é que ele foi feito com vídeos enviados pelos sensíveis fãs de benjamin.
Assistam, ouçam, compartilhem a faixa Exist do artista, e repitam tudo isso quantas vezes quiserem, que vocês não vão se arrepender. Ela também está em nossa Coletânea Folk Music Brazil.



Ouçam no Spotify: https://open.spotify.com/track/31eeLyyoDCXuwJoBdx0n8E



quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Coletânea Folk Music Brazil - Resultado da Seleção de Artistas

É com muito orgulho que apresentamos a vocês 4 ganhadores do concurso para a Coletânea Folk Music Brazil!

- Monoclub - "Cortejo"
- Paulo Reis - "Cidades Pequenas Cidades"
- Folk Na Kombi - "Dançar Eu Vou"
- Devonts - "Impressão Sua"

Vamos dar os parabéns aos talentosos artistas por suas belíssimas composições!


sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Coletânea Folk Music Brazil: Lançamento Arthur Matos - Sky High

E a Coletânea Folk Music Brazil não para de nos trazer pérolas do folk! Ouçam agora Sky High, de Arthur Matos, trabalho que estará em seu quarto disco a ser lançado no início de 2016. Não precisamos dizer que vocês precisam ouvir né? Está maravilhosa essa música!